Os sintomas e as causas da intolerância aos frutanos têm muitas semelhanças com a síndrome do intestino irritável (SII). A SII é uma desordem funcional que afeta o intestino grosso e pode ser desencadeada por certos alimentos, e também pelo stress, mudanças hormonais ou outras doenças que afetam o trato gastrointestinal. As pessoas que associam os seus sintomas à ingestão de certos alimentos podem ter dificuldade em tolerar frutanos e outros hidratos de carbono fermentáveis de cadeia curta. Isto não significa que todas as pessoas com SII não possam tolerar os frutanos, mas é interessante notar que as duas condições podem estar relacionadas nalgumas pessoas.
Ao tentar determinar que alimentos desencadeiam sintomas em casos de suspeita de SII e intolerância aos frutanos, é provável que um médico ou nutricionista dietista sugira manter um diário de alimentos para ver como o seu corpo responde aos FODMAPs, alimentos ricos em açúcares que conduzem a níveis mais altos de fermentação no intestino. A melhor forma é observar o impacto da sua eliminação e o que acontece quando são reintroduzidos na dieta, assim como descobrir a tolerância individual.
Frutanos e glúten
O glúten é uma proteína encontrada em certos cereais, especialmente trigo, cevada e centeio. As doenças digestivas relacionadas com o glúten incluem a doença celíaca, um distúrbio autoimune causado pela presença de glúten no intestino, e a sensibilidade não celíaca ao glúten/trigo, a erradamente chamada intolerância ao glúten. Uma vez que o trigo, a espelta, o centeio e a cevada são alimentos ricos em frutanos e contêm glúten, pode ser difícil saber se os sintomas são causados pelo glúten ou por outro componente.
A doença celíaca pode ser avaliada e diagnosticada com um alto grau de certeza. No entanto, a sensibilidade não celíaca ao glúten/trigo é difícil de diagnosticar, pelo que se deve ter em conta que não há forma de saber se os sintomas que surgem após a ingestão de produtos que contêm glúten são causados pelo glúten ou por outro componente presente no trigo, cevada e centeio, como os frutanos.
Lista de alimentos ricos em frutanos
Se o seu médico pensa que pode ter uma intolerância aos frutanos, irá precisar de uma lista de alimentos para o ajudar a elaborar a sua dieta, procurar uma dieta pobre em frutanos, ou identificar o que desencadeia os seus sintomas. Os alimentos ricos em frutanos incluem:
- Cereais: trigo, espelta, centeio e cevada
- Frutas: melancia, nectarina, toranja, dióspiro, romã, ameixas, bananas maduras, tâmaras, ameixas secas e sultanas.
- Legumes: cebola, alho, alho-francês, alcachofra, espargos, beterraba, couve-de-bruxelas, couve, funcho e ervilha.
- Leguminosas: feijão e ervilhas.
- Frutos secos: castanhas de caju e pistacho
- Outros: raiz de chicória e alguns produtos de soja.
Dieta pobre em frutanos
Como evitar os frutanos? Embora alguns dos alimentos com alto teor de frutanos sejam muito comuns, existem formas de os substituir ou procurar alternativas com menor teor de frutanos. Por exemplo, os cereais ricos em frutanos podem ser substituídos por cereais sem glúten, tais como trigo mourisco, aveia, quinoa, tapioca e arroz integral.
Conselhos sobre como gerir a intolerância aos frutanos
Se suspeitar que pode ter uma intolerância aos frutanos, deve consultar um médico especialista. Um profissional médico pode desenhar uma dieta de exclusão na qual evita alimentos que contêm frutanos durante um período de tempo limitado para ver se os sintomas desaparecem.
Após a eliminação inicial dos frutanos, deve reintroduzir gradualmente os alimentos que contêm frutanos novamente na sua dieta, pouco a pouco e ingrediente por ingrediente para determinar a intolerância individual. Deve manter um diário de alimentos e sintomas para poder analisar os resultados da ingestão de diferentes alimentos. A abordagem da dieta baixa em FODMAPs desenvolvida pela Universidade de Monash, em Melbourne, funciona da mesma forma. A ideia não é eliminar todos os FODMAPs da dieta para sempre, mas conhecer o impacto de cada um e encontrar um nível confortável de ingestão como parte de uma dieta equilibrada.
Antes de fazer grandes mudanças na dieta, é importante procurar o seu médico ou nutricionista/dietista para garantir que está sempre a cumprir uma dieta adequada que responda às suas necessidades nutricionais.