Doença Celíaca, Sensibilidade, Alergia, Síndrome do Intestino Irritável...

Doença Celíaca, Sensibilidade, Alergia, Síndrome do Intestino Irritável...

Conheça as várias doenças relacionadas ao glúten.

O glúten é uma proteína presente no trigo cuja função principal é dar liga aos alimentos. Ela está presente nos seguintes quatro alimentos: trigo, centeio, malte e cevada e costuma também ser encontra na aveia. Esta última, embora não contenha originalmente glúten, pode também sofrer contaminação devido ao cultivo mundial desse cereal frequentemente intercalar com a plantação de trigo. Ao absorver os nutrientes durante a fase de crescimento, a aveia acaba absorvendo parte do glúten deixado pelo cultivo de trigo.

Para parte da população, o glúten é inofensivo e não será absorvido pelo organismo, sendo eliminado pelo sistema digestivo. No entanto, para celíacos e outros portadores de patologias glúten-relacionadas, essa proteína pode causar uma série de problemas, desde reações no trato gastrointestinal, pele e sistema respiratório, a anemia, depressão e até mesmo danos ao cérebro.

A doença celíaca – uma patologia subdiagnosticada

A primeira doença glúten-relacionada identificada pela medicina foi a Doença Celíaca. Trata-se de uma patologia autoimune – ou seja, quando o próprio sistema imunológico da pessoa ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo ao ingerir glúten. A Doença Celíaca atinge cerca de 1% da população mundial e ocorre em pessoas que possuam os genes HLA, DQ2 e DQ8. A doença afeta diversas partes do corpo, como ossos, pele, sangue e cérebro.

A ingestão de alimentos com glúten provoca uma reação imunológica anormal no intestino delgado, gerando uma inflamação crônica que causa a má absorção de nutrientes e resultando em desnutrição e desequilíbrio da saúde. Embora a estimativa seja que uma em cada 100 pessoas seja afetada pela Doença Celíaca, essa é uma patologia ainda pouco diagnosticada, devido ao vasto número de sintomas diferentes provocados. Como é necessário considerar diversas possibilidades, muitas vezes especialistas acabam tratando os sintomas e não a causa, que nesse caso seria a ingestão de glúten.

Para se ter uma ideia, nos últimos 30 anos, a média de idade dos pacientes diagnosticados com a doença celíaca foi alterada e já está acima dos 40 anos. Isso quer dizer que a Doença Celíaca não é mais uma doença diagnosticada na fase infantil, mas sim após anos de alimentação insegura, o que pode trazer diversas complicações.

Conheça a seguir, os sintomas típicos – e também aqueles não tão comuns – relacionados a doença celíaca:

Sintomas típicos:

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Diarreia crônica, perda de peso, “inchaço” algumas horas após as refeições, intolerância secundária à lactose, estearreia (excesso de gorduras nas fezes) e fadiga como expressão de anemia microcítica (hemáceas pequenas e com perda de cor).

Sintomas atípicos:

Sintomas gastrointestinais não específicos e sintomas gerais

  • Sensação de inchaço
  • Dores abdominais recorrentes
  • Esteatose hepática (gordura no fígado)
  • Transaminase pouco clara
  • Fraqueza muscular ou fadiga
  • Osteopenia obscura (redução da massa óssea, similar à osteoporose)
  • Fraturas patológicas, decorrentes do enfraquecimento ósseo

  Sistema nervoso

  • Polineuropatia (reações nos nervos, promovendo distúrbios do sistema nervoso central e periférico e que afeta tanto os membros superiores quanto inferiores)
  • Ataxia cerebelar (falta de coordenação e tontura)
  • Mielopatia (comprometimento da medula óssea)
  • Degeneração posterior da coluna
  • Miastenia grave (doença crônica caracterizada por fraqueza muscular e fadiga rápida quando o músculo é exigido
  • Esquizofrenia

Para esclarecer melhor o que é a Doença Celíaca e como diagnosticá-la, vale a comparação com a imagem de um iceberg: visualmente, um iceberg mostra apenas uma pequena parte de sua estrutura, acima do nível da água. De forma ilustrativa, isso representa os casos da doença com sintomas típicos e com maior facilidade de diagnóstico. O restante do iceberg – ou seja, aproximadamente 90% de sua estrutura – está abaixo da água, invisível. Essa parte representa os sintomas incomuns, e por vezes assintomáticos, que podem confundir o diagnóstico e fazer a Doença Celíaca passar despercebida durante anos:

Etapas do diagnóstico da Doença Celíaca

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O teste para diagnosticar a Doença Celíaca envolve um exame de sangue, para analisar a dosagem dos anticorpos – as células de defesa do organismo –, e uma biópsia feita por meio de gastroscopia, que é um teste para examinar o interior do esôfago, estômago e do duodeno (parte inicial do intestino delgado).

Com diagnóstico precoce, acompanhamento especializado e uma dieta completamente livre de glúten por toda a vida, é possível viver plenamente com a Doença Celíaca.

Síndrome do intestino irritável

A Síndrome do Intestino Irritável é um distúrbio gastrointestinal debilitante e crônico que atinge pelo menos 10% da população dos EUA, Europa e Reino Unido. No Brasil, estima-se que o número seja próximo ao apresentado nos países acima relacionados.

Pesquisas indicam que a adoção de uma dieta não-fermentativa – ou seja, livre de alimentos fermentativos como trigo, leite e derivados, pistache, lentilha, grão de bico, entre outros – tem sido uma grande aliada no combate aos sintomas da Síndrome do Intestino Irritável (SII).

Conhecidos internacionalmente como FODMAPs (fermentáveis, oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis), os alimentos fermentativos são carboidratos de difícil absorção e que aumentam o volume de líquido no intestino, sendo depois fermentados pelas bactérias intestinais, produzindo gases.

Alguns exemplos de alimentos que não devem ser consumidos nessa dieta são: trigo, centeio, cevada, leite e derivados, pistache, frutas, leguminosas como lentilha, grão de bico e ervilha e alguns tipos de temperos, como cebola, alho, alho-poró e cebolinha.

Tratamento para Síndrome do Intestino Irritável

A mais recente abordagem para a Síndrome do Intestino Irritável é um tratamento com a exclusão de FODMAPS durante algumas semanas, com uma reintrodução orientada e acompanhada por uma nutricionista.

“Nós sempre acompanhamos nossos pacientes por oito semanas após a consulta inicial. A eles é entregue o Guia FODMAP, que auxilia a fazer a dieta com eficiência. Eu sempre utilizo esse guia na primeira consulta para que o paciente compreenda o que está fazendo e o que a dieta exigirá dele. Durante essa revisão de oito semanas, é possível avaliar as melhorias dos sintomas, que são anotadas em nossos dados de auditoria. Após esse período, nós fazemos a reintrodução de alimentos FODMAP e depois o paciente fará isso por conta própria. Um ano depois dele receber alta, enviamos um formulário de auditoria para que responda como estão os sintomas”, detalha Marianne Williams, nutricionista inglesa especialista em alergias e Síndrome do Intestino Irritável (SII) e membro do Instituto Dr. Schär.

O Instituto é o apoio científico da Dr. Schär. Formado por uma equipe internacional de pediatras, gastroenterologistas, nutricionistas e outros especialistas, o Instituto tem como objetivo promover o diálogo entre a comunidade científica, para gerar a conscientização das patologias relacionadas ao glúten, para melhora da qualidade de vida dos consumidores.

Sensibilidade ao glúten

A sensibilidade ao glúten é um problema mais comum do que se pensa: estima-se que atinja até 15% da população mundial atualmente. Cada vez mais pessoas sofrem de males que poderiam ser atribuídos à sensibilidade ao glúten.

A Sensibilidade ao Glúten Não-Celíaca (SGNC) pode ser considerada quando o paciente apresenta intolerância ao glúten, mas a Doença Celíaca e a alergia ao trigo foram descartadas. Enquanto a Doença Celíaca tem base genética, a Sensibilidade ao Glúten Não-Celíaca é uma forma de intolerância sintomática ao glúten.

Os sintomas da sensibilidade ao glúten podem ser muito diferentes de pessoa para pessoa, indo de dores no estômago a inchaço, náuseas, diarreia, distensão abdominal, dores no abdômen e extraintestinais, anemia, depressão, constipação, enxaqueca, confusão mental e dores nas articulações e nos músculos. No geral, os sintomas ocorrem durante alguns dias (ou horas) após a ingestão de alimentos que contenham glúten (como a farinha de trigo, presente em grande parte dos pães e massas encontrados no comércio, por exemplo).

"O diagnóstico atual para a sensibilidade ao glúten é comparável ao da Doença Celíaca no início dos anos 70, quando nenhum marcador sorológico estava disponível para identificar a Doença Celíaca objetivamente”, indica Marianne.

Diagnóstico da Sensibilidade ao glúten

Os marcadores de identificação para SGNC ainda são desconhecidos, por isso, o diagnóstico ainda é feito por exclusão. O que isso significa? Que para diagnosticar a sensibilidade ao glúten é necessário excluir a possibilidade de que os sintomas apresentados sejam originados por Doença Celíaca autêntica ou por alergia ao glúten. 

  • A exclusão de Doença Celíaca é realizada por meio de uma busca por anticorpos específicos em uma amostra sanguínea.
  • A exclusão de alergia é feita com testes de alergia apropriados.

Desse modo, por meio da exclusão, é possível diagnosticar a sensibilidade ao glúten.

Diferença entre Doença celíaca X Sensibilidade ao glúten

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Confira a seguir, situações que caracterizam pacientes com Sensibilidade ao Glúten Não-Celíaca (SGNC):

  • Existe um teste negativo de alergia ao trigo e testes sorológicos negativos de Doença Celíaca (anti-EMA e/ou anti-tTG).
  • Foi excluída a deficiência IgA.
  • A biópsia do intestino delgado é normal e com IEL levemente elevado (Marsh 0 até 1).
  • Podem ser encontrados biomarcadores que demonstram uma reação de imunidade inata ao glúten (AGA).
  • Existem sintomas clínicos que podem se sobrepor aos da Doença Celíaca e alergia ao trigo.
  • É observada uma melhora dos sintomas após a retirada do glúten da dieta. Nesse caso, a dificuldade está em excluir o princípio duplo-cego (ou efeito placebo). Para confirmar se há ou não um efeito placebo, o ideal é acompanhar a evolução no dia-a-dia do paciente.

Em resumo: ser sensível ao glúten significa ter sintomas semelhantes aos da Doença Celíaca e da alergia ao trigo sem ser afetado por qualquer uma das duas patologias. Pode ser uma situação que, ao contrário da Doença Celíaca, seja temporária e possa ser resolvida após um período de dieta sem glúten não inferior a 1 ou 2 anos.

Por isso, antes de iniciar qualquer dieta ou de fazer qualquer restrição alimentar, consulte o seu médico ou nutricionista.

Outras patologias relacionadas ao glúten

Além da Doença Celíaca, da Síndrome do Intestino Irritável e da Sensibilidade ao Glúten, outras duas patologias são glúten-ativadas: a Glúten Ataxia (GA) e a Alergia ao Glúten. A primeira é uma patologia autoimune que causa danos ao cérebro, gerando sintomas relacionados à dificuldade de realizar atividades simples, como andar em linha reta. De acordo com Marianne Williams, 60% dos pacientes com Glúten Ataxia mostram evidência de danos cerebrais e menos de 10% terão sintomas gastrointestinais. Embora a maior parte das pessoas não manifeste sintomas, 40% apresentará danos intestinais. Testes neurológicos e testes com os anticorpos TG2 e TG6 oferecem bons diagnósticos.

Alergia ao trigo

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Diferentemente da Doença Celíaca e Síndrome do Intestino Irritável, a alergia ao trigo faz com que o organismo rejeite essa proteína. Para isso, o sistema imunológico cria o anticorpo Imunoglobulina E (o IgE). Os resultados imediatos são mais severos e causam reações alérgicas no trato gastrointestinal, pele e sistema respiratório.

Entretanto, Marianne Williams conta que os testes alérgicos estão cada vez mais apurados. Hoje, por meio de testes cutâneos e do IgE, é possível identificar a proteína exata que está causando a alergia. “Uma das reações, identificada principalmente em adultos, é a anafilaxia induzida por exercício com dependência alimentar, que é caracterizada pela resposta alérgica à inalação de trigo, farinhas de alguns cereais e poeiras”, observa a especialista.

Doenças autoimunes associadas

Diversas doenças autoimunes podem estar associadas à Doença Celíaca. Por isso, caso apresente uma das doenças autoimunes listadas abaixo, considere realizar também exames para excluir a possibilidade de Doença Celíaca:
 

  • Diabetes mellitus tipo 1
  • Tireoidite autoimune
  • Hepatite autoimune
  • Cirrose biliar primária
  • Gastrite atrófica autoimune
  • Doença de Addison
  • Miastenia grave
  • Esclerose múltipla
  • Artrite reumatoide
  • Síndrome de Sjögren

Seguir uma dieta livre de glúten ainda é um grande desafio. É preciso facilitar o acesso da comida livre de glúten em supermercados e encontrar formas de oferecer consultas de baixo custo com profissionais de saúde devidamente qualificados e que possam orientar e acompanhar a dieta. É importante reforçar que cada caso é único, por isso é necessário ter um acompanhamento nutricional para garantir uma dieta balanceada e adequada para cada paciente.

Produtos sem glúten

Com a mais completa gama de produtos sem glúten, a Schär atende às necessidades de pessoas com Doença Celíaca, Sensibilidade ao Glúten ou Alergia ao Trigo, além de todos os outros públicos que precisam ou optam por seguir uma dieta livre dessa proteína, como pessoas com Síndrome do Intestino Irritável.

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Para saber mais

Confira o artigo desenvolvido por uma equipe de médicos de diversos países consolidando os distúrbios causados pelo glúten, publicado no renomado jornal online BMC Medicine: Spectrum of gluten-related disorders: consensus on new nomenclature and classification