A doença celíaca é uma doença autoimune, com sintomas digestivos e sistêmicos, crônica, que ocorre em pessoas geneticamente predispostas e que é sempre desencadeada pela ingestão de uma proteína chamada glúten (presente no trigo, centeio e cevada). A doença celíaca não é uma alergia ou uma intolerância alimentar, é uma doença autoimune! O sistema imunológico do celíaco o agride quando entra em contato alimentar com o glúten.
Sabemos que esta doença acomete 1% da população. Como comparação, a doença celíaca é mais frequente que o Alzheimer, doença tão falada
em nosso meio. No entanto, apenas 15% dos celíacos sabem que são portadores da doença. Este abismo decorre da variedade enorme de sintomas da doença, da má formação médica e da pouca informação na sociedade sobre a doença celíaca.
Para que alguém seja celíaco, é preciso que exista uma alteração nos genes HLA DQ2 e/ou HLA DQ8 desta pessoa. O interessante é que 30 a 40% da população geral têm alteração nestes genes, e a grande maioria nunca será celíaca. Isto indica que há outros componentes ambientais que podem influenciar no processo de desencadeamento da doença, como dieta, microbiota intestinal, outros genes ou infecções prévias. Ainda não entendemos o gatilho preciso para que um portador do gene alterado se torne efetivamente um celíaco. Ninguém nasce celíaco
(nasce com o gene), e o desenvolvimento da doença ocorre durante a vida. Apesar de ser uma doença genética, saibam que 50% dos celíacos não têm algum parente com a doença quando são diagnosticados, e que irmãos e filhos de celíacos têm 20% e 10% de chances de serem celíacos, respectivamente.
E quanto aos sintomas? Aí o quadro se torna ainda mais interessante. O número enorme de sintomas ou até a completa ausência deles, afetam muito a capacidade de diagnóstico. Por isso, a doença recebeu o apelido de “doença camaleão”, já que se apresenta com muitas “cores e disfarces” ou, até se “camufla” tão bem, que não a enxergamos.