Conheça a rotina e os desafios de crianças celíacas

Conheça a rotina e os desafios de crianças celíacas

É comum que pessoas alérgicas a certos alimentos tenham outras restrições alimentares combinadas.

É o caso do pequeno Gabriel, de sete anos, que foi confirmado intolerante à lactose aos três, e aos quatro descobriu que também era celíaco. “O Gabriel sentia dores abdominais, não estava crescendo e chegava a ter até 12 diarreias por dia. Ele tinha deixado de usar fraldas e teve de voltar por conta disso. Com apenas três anos, ele ainda não sabia verbalizar direito o que sentia, mas consultamos a Dra Lorete Kotze, referência na área, e por exames de DNA ela percebeu que o Gabriel tinha o gene da doença celíaca. Porém, ele nunca teve a confirmação por exames de endoscopia, pois como excluímos o glúten da dieta dele logo no início, felizmente seu intestino não foi prejudicado”, conta a mãe, Valéria Mengarelli.

Article7081_Junge ist Gemuese.jpg

No início, ela lembra que foi difícil lidar com a questão, especialmente porque não havia tantos produtos no mercado voltados para este público, no Brasil. Além disso, o glúten foi cortado da dieta de Gabriel, mas não da dos pais, o que gerava contaminações dentro de casa. “Hoje, não entra glúten em nossa cozinha. Compramos um fogão, liquidificador, batedeira, formas e utensílios de uso exclusivo do Gabriel. Mudamos tudo”, garante.

Zelosa, Valéria se preocupava com a falta de cálcio na alimentação do filho após cortar o consumo de leite, mas logo descobriu suplementos e, mais tarde, leites do tipo zero lactose. “Já com o glúten, não me preocupei, pois não existem comprovações científicas de que ele é realmente necessário ao organismo”, explica. O cardápio de Gabriel é vasto e inclui verduras, frutas, carnes e peixe. Além disso, o menino adora os biscoitos Wafers al Cacao e a bolacha Maria da Schär – já o Mini Sorrisi, que contém lactose, ele só pode provar depois de tomar uma dose da enzima lactase. Gabriel também é fã da Ciabatta e do Corn Flakes da Schär, mas não vê a hora de chegar ao Brasil os cereais com chocolate da marca – que Valéria trouxe de Roma, certa vez.

Neste fim de semana, ela organizou mais uma festinha de aniversário para o filho – tarefa complicada, mas que hoje ela tira de letra. No 5º aniversário do menino, ela fez questão de servir todas as guloseimas sem glúten e sem lactose. “Encomendei salgadinhos e fiz em casa bolos, tortas, hambúrgueres, cupcakes. Fiz até brigadeiros com leite sem lactose. E o Gabriel ajudou a enrolar!”, diz. Valéria revela que sempre gostou de cozinhar, mas hoje vive em função de descobrir receitas e preparos novos para agradar ao filhote.

Outras histórias

Article7081_Curitiba Brasilien.jpg

Foi realizada em Curitiba a 3ª Expo Sem Glúten, e várias crianças estiveram presentes no evento. Uma delas era Fabrícia dos Santos, de 8 anos, diagnosticada com doença celíaca há apenas dois meses. “A parte mais chata é que não posso comer meu cereal preferido, mas aos poucos descobri que posso comer quase tudo, só que na versão sem glúten”, contou. De três anos para cá, Fabrícia passou a sentir muito enjoo e dores de cabeça. “Ela ia ao hospital e os médicos diziam que era virose. Por sorte, chegamos a um gastropediatra que recomendou uma biópsia de intestino e ficou confirmada a doença”, conta a mãe, que admite ter sofrido muito no início do tratamento, até mais do que Fabrícia. “Sempre digo que o maior problema das crianças celíacas são os pais delas”, diz, em tom de brincadeira.

Outra história compartilhada durante a Expo Sem Glúten é a de Henrique, de seis anos. Filho de pais com rinite alérgica, o menino descobriu ser alérgico ao trigo, soja, ovo, milho, proteína do leite, entre outros alimentos. “Eu sentia falta de ar e dor de barriga”, conta o pequeno, que durante algum tempo se alimentou apenas de Neocate, tendo que excluir todos os demais alimentos. Hoje, graças ao trabalho da gastropediatra Jocemara Gurmini, o menino segue uma vida normal, apesar das restrições. Na escola, todos os amiguinhos sabem do problema e o protegem. “Depois do lanche, eles lavam as mãos e fazem bochecho, enquanto a zeladora varre a sala de aula. O Henrique sabe que não pode tocar, ingerir ou inalar os alimentos que lhe fazem mal”, explica a mãe, Lindsei Paupitz. Segundo ela, crianças são mais solidárias que os adultos. “Seus primos e colegas jamais comem algo que o Henrique não pode comer na frente dele”, diz.

Bernardo tem só três anos, mas começou a levantar suspeitas de que teria algum problema de saúde com um aninho de idade. “Ele não crescia, não engordava, tinha muita diarreia e dores estomacais. O pediatra encaminhou para um endócrino para iniciar um tratamento hormonal, mas pelo exame de sangue descobrimos que ele era 100% celíaco, o que foi comprovado pela biópsia”, conta a mãe, Daniele Mello Araújo. Desde então, nenhum grama de glúten entra na sua casa, nem na dos avós. Ela admite que sente falta de comer em restaurantes, mas não se sente segura. “Eles não têm a consciência que nós temos, acham que é exagero ou frescura”, lamenta. Daniele tem orgulho do filho, que sempre pergunta se pode comer determinado alimento. Na escola, ninguém havia lidado com a doença celíaca antes do Bernando, e foram necessárias reuniões com pedagogos e professores até entenderem a gravidade da doença. “O Bernardo leva seu lanche e sabe que não pode trocar merenda com os amiguinhos. Entre seus preferidos estão os biscoitos Wafer e Crackers, da Schär, pois vêm em embalagens individuais e são bem práticos”, conta.