Cliente do mês – Lucia Trigo

Cliente do mês – Lucia Trigo

Apesar do sugestivo sobrenome, a engenheira Lucia Trigo, 48 anos, vive há quase 10 anos em uma realidade sem glúten.

Divertida, ela brinca que o único trigo que consegue tolerar é o marido, de quem herdou o sobrenome. Lucia e o filho mais novo, Gabriel, hoje com 14 anos, foram diagnosticados com a doença celíaca. E graças a muito esforço, perseverança e apoio da família, conseguiram adaptar a rotina a uma alimentação livre de glúten.

Hoje, Lucia trabalha como representante comercial e tem como objetivo desmistificar a alimentação sem o uso da proteína e de ajudar outras pessoas à adaptação a uma rotina sem glúten.

Fase um: a descoberta da doença celíaca

A caminhada até o diagnóstico de Lucia foi bem complexa. Em 2006, alguns anos após sua segunda gravidez, ela começou a perder peso, ter desconfortos abdominais e diarreias eventuais. “Estava muito fraca e surgiu uma anemia leve que me deixava sem energia. Um lance de escadas já me deixava ofegante e tinha dias que falava que não ia aguentar fazer tudo”, conta Lucia.

Após o início dos sintomas, Lucia perdeu 9 kg e teve que fazer um minucioso check up, por vários médicos. “Eles viam a anemia leve e achavam que eu não me alimentava direito, por ter criança pequena. Me davam suplemento, orientação, fazíamos todos os exames e ninguém me dava crédito”, relembra.

Mesmo após uma endoscopia não especializada, sugerida por uma gastroenterologista, não houve o diagnóstico preciso. Foram diversas medicações, que incluíram até vermífugos, e após um ano e meio de luta, finalmente Lucia conseguiu o diagnóstico final: “Depois de muito tempo, fui a um especialista em anemia em São Paulo. Ele pediu os exames de sangue dos anticorpos. Sai de lá completamente descrente... fiz o exame e realmente os anticorpos vieram muito altos. Ele falou que estava confirmada a doença celíaca e a intolerância permanente ao glúten”. A engenheira complementa que, após a confirmação, uma endoscopia com biopsia foi feita para verificar o nível de gravidade da doença celíaca que possuía.

Após a descoberta – e ao saber que a doença tinha fator genético –, Lucia levou os filhos para fazerem os mesmos exames. Foi quando descobriu que o mais novo, Gabriel, também era celíaco. Ao contrário de Lucia, que precisou complementar o tratamento no início com outros medicamentos além da dieta sem glúten, o filho só precisou entrar na nova rotina de alimentação.

O diagnóstico do filho aconteceu justamente no mês de maio, o Mês do Celíaco – e também o mês de aniversário de Gabriel. Na época, Lucia participou de uma caminhada no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, que promoveu a conscientização da doença celíaca. Lá, conheceu muitas pessoas que já adotavam a alimentação sem glúten há mais tempo, o que a ajudou a aprender muito sobre a dieta e sobre a doença celíaca.

“Lembro que ia ser o último bolo normal que o Gabriel ia ter no aniversário”, conta, relembrando como pensava à época. Foi então que Lucia começou a fazer diversos cursos de panificação e confeitaria tradicional para que pudesse adaptar as receitas com as técnicas corretas.

Fase dois: socialização

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Outro ponto que gerou preocupação foi a adaptação da dieta do filho mais novo em eventos sociais, como festinhas de aniversário ou até mesmo a hora do recreio, na escola. A solução foi conversar com a escola e planejar para que tudo fosse feito sem glúten e de forma segura, até mesmo o lanche da escola. Dessa forma, Gabriel poderia comer junto com os colegas.

“A escola foi muito receptiva. As professoras, a diretora, todas as pessoas que trabalhavam na cozinha, um monte de gente. Montamos um procedimento para que as coisas dele fossem seguras”, destaca Lucia. Um cuidado que gerou inclusive novas descobertas. Foi a partir dessa divulgação que uma professora da escola desconfiou e, por meio de exames, descobriu que seu filho também era celíaco.

Fase atual: divulgação de informações e desmistificação

Hoje, Lucia oferece palestras informais a respeito do universo do glúten. Ela já realizou apresentações na escola dos filhos, no condomínio onde mora e para grupos de amigos, sempre com o objetivo de promover o conhecimento sobre a doença celíaca e tudo que a engloba.

E até mesmo quando vão viajar em família, a divulgação não para: “O trabalho começa muito antes. Eu entro em contato com o hotel e explico como é (ser celíaco). Muitas vezes as nutricionistas não têm noção da realidade de um celíaco e muito menos as pessoas da cozinha. É um aprendizado que começa desde a pessoa da agência que me vendeu o pacote de viagem até a nutricionista. Já tive experiências muito interessantes, algumas em hotéis que começaram inclusive a identificar a comida após isso, o que não faziam antes”, explica Lucia.

Apoio fundamental: a família

Quando questionada sobre o apoio da família, Lucia não hesita em dizer que eles a apoiam completamente: “Meu marido, quando busca algo em restaurantes e vê que o cardápio tem pouca coisa pra gente, acha melhor não irmos. Eles (o marido e o filho mais velho de Lucia) apoiam completamente. No Dia das Mães, nós fomos a uma padaria sem glúten em São Paulo, foi bem legal”, exemplifica.

“Só com o apoio da família, a saúde celíaca é possível. Gostamos de chamar de ‘saúde celíaca’ não de ‘doença celíaca’ porque acredito que a saúde celíaca só é possível integralmente com o apoio da família”, relata Lucia.

Ela revela que há um esforço para separar bem os alimentos em sua casa, para que todos possam se alimentar bem e de forma segura, mas sem deixar o sabor de lado: “Na prática, segregamos tudo aqui em casa. As coisas com glúten praticamente desapareceram e mudei nosso cardápio, mas a alimentação não é 100% livre de glúten porque meu filho mais velho e meu marido, ainda comem algumas coisas com glúten”.

Produtos e evolução do mercado sem glúten

Lucia testemunhou ao longo da década a evolução no mercado sem glúten. “No início foi bem difícil, porque há 10 anos tinham muito menos produtos”, conta, recordando a fase de adaptação. A representante comercial lembra que ficou surpresa ao descobrir a variedade de produtos Schär, uma vez que esse sempre foi um dos principais problemas da dieta livre de glúten.

Desde a chegada da marca ao Brasil, Lucia já experimentou diversas receitas com as farinhas da Schär para adaptar tudo ao gosto do filho. Sobre seus produtos favoritos, ela se diverte ao destacar suas preferências: “Seria mais fácil te responder o que eu não gosto, porque a lista é bem pequena (risos). Mas, os Mix (Pan e Dolci) acho muito bons, os Wafers Nocciole, não tem nada parecido com aquilo e inclusive é muito melhor que qualquer biscoito que tenha glúten, e o Crackers é perfeito”.