Anne Lee responde: dúvidas do universo sem glúten

Anne Lee responde: dúvidas do universo sem glúten

A Schär trouxe ao Brasil a nutricionista americana Anne Lee para uma palestra exclusiva na sétima edição do evento GlutenFree Brasil.

Na ocasião, separamos 4 dúvidas sobre o universo sem glúten, no qual ela é especialista, para serem respondidas por uma autoridade no assunto. Confira!

1. A partir de qual idade é possível ser diagnosticado com doença celíaca?
Celíacos podem ser diagnosticados em qualquer idade. Crianças geralmente apresentam os sintomas mais comuns como inchaço abdominal, diarreia e vômito. Estes sintomas começam a surgir bastante cedo: assim que o glúten passa a ser introduzido na alimentação.  No entanto, para as crianças menores de 3 anos os testes de anticorpos não são confiáveis: o ideal é a combinação do teste genético ao anti-transglutaminase IgA (anti-tTG IgA) antiendomísio IgA (EMA IgA) IgG. No caso de sintomas graves, a biópsia duodenal para o diagnóstico da doença também poderá ser solicitada pelos médicos.

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2. Maltodextrina: contém glúten?
A maltodextrina é um carboidrato feito de amido. Geralmente é feito de arroz, milho ou batata – mas pode ser feito de trigo. Como no Brasil não existe nenhum tipo de regulamentação sobre a isenção de glúten, é fundamental consultar o fabricante para averiguar se a maltodextrina em questão é feita de trigo ou de outra matéria-prima. E muita atenção: isso também vale para produtos industrializados que utilizem maltodextrina como ingrediente na composição de seus pães, bolos, biscoitos e outros produtos.

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3. Quais nutrientes são especialmente importantes para os celíacos?
Sabemos que parece simples demais para ser verdade, mas a resposta para essa pergunta é: comer uma grande variedade de alimentos de todos os grupos alimentares, com a maior diversidade possível – inclusive de cores. Isso garante a ingestão de diversos nutrientes essenciais para o organismo. Os celíacos devem prestar atenção especial à vitamina D, vitaminas do complexo B e fibras. Diversos grãos sem glúten podem fornecer ambos os nutrientes.

Dica: A nutricionista da Schär Brasil, Inês Camila Alves dá algumas sugestões para incluir estas vitaminas e fibras na dieta: “Para a vitamina D, peixes, frutos do mar, ovos e leite são boas fontes, mas é importante lembrar que a produção da vitamina só ocorre quando existe exposição ao sol, sem protetor solar”. Mas atenção! 10 minutos diários são suficientes.
Já as vitaminas do complexo B podem ser encontradas em peixes, vegetais de cor verde-escura , castanhas, abacate, cereais integrais e carnes.
Por fim, as fibras estão presentes nas frutas, legumes, leguminosas, verduras, farinha de linhaça, chia, quinoa, amaranto, farinha de banana verde e no arroz integral. Mas Inês alerta: “as fibras só desempenham suas funções com a ingestão de água e líquidos em conjunto, caso contrário o efeito poderá ser negativo causando prisão de ventre e gases”.

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4. Existe comprovação científica para SGNC?
Apesar de existir uma quantidade substancial de estudos comprovando a doença celíaca, ainda existem muitas dúvidas a respeito da existência da SGNC (Sensibilidade ao Glúten Não Celíaca). Um artigo da publicação americana Medical Daily resumiu um estudo duplo-cego com placebo do Instituto nacional de saúde dos EUA (National Institute of Health) com 59 indivíduos que se declararam sensíveis ao glúten. Aqueles expostos a produtos com glúten relataram dores abdominais, confusão mental, inchaço, depressão e úlceras estomacais. Já os indivíduos que receberam o placebo não relataram efeitos colaterais. Essa é uma ótima notícia para aqueles que sofrem com a doença, pois estes estudos relatam o aumento dos sintomas associados à má digestão do glúten em indivíduos com suspeita de SGNC de forma mensurável e fornece sólidas evidências sobre a existência da condição.

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O Instituto Dr. Schär que já trabalha com alguns dos experts em doença celíaca de todo o mundo, está expandindo as pesquisas para o universo da sensibilidade ao glúten.

Anne Lee é professora de Medicina na Universidade de Columbia, e é a nutricionista responsável pelo Centro de Doença Celíaca desta instituição, nos Estados Unidos. Além de pesquisadora da área, atende diretamente os pacientes, tendo vasta experiência na prática clínica. Suas pesquisas resultaram em diversos artigos sobre o impacto de uma dieta sem glúten na vida dos pacientes, nas mais diversas formas: qualidade de vida, adequação nutricional, aspectos econômicos e a contaminação cruzada em grãos naturalmente sem glúten. Lee também é autora de diversos capítulos em livros técnicos de medicina sobre a doença celíaca, e de outros materiais educacionais tanto para pacientes quanto para profissionais da área médica e do setor alimentício. A professora é membro da Academia de Nutrição e Dieta há muitos anos, e da Academia de Intolerância ao Glúten. Também completou seu doutorado em nutrição educacional na Faculdade de professores de Columbia, e o tema de sua dissertação foi o impacto social de redes de apoio na qualidade de vida de indivíduos com doença celíaca. Anne é membro do Instituto Dr. Schär.